Monique Hébrard
Jornalista

O cemitério dos sete monges de Tibhirine

 

A silhueta dos sete monges trapistas vê-se na penumbra da noite do dia 26 para o dia 27 de Março de 1996. Essa última imagem do belíssimo filme de Xavier Beauvois deixava-nos na incerteza : estariam reféns num lugar escondido? Teriam sido assassinados? Se foi o caso, onde estavam os corpos? Sabe-se como é difícil viver um luto quando os corpos das vítimas de um acidente de avião, ou de um crime, não são encontrados.

A penumbra da incerteza só foi levantada – numa visão horrível – quando no dia 30 de Maio foram encontrados os corpos… de fato as sete cabeças decapitadas.

Os restos dos sete monges repousam agora no cemitério do mosteiro Notre Dame do Atlas, lugar aonde viveram. Milhares de pessoas de todos os países vêm aí recolher-se, rezar. Cristãos, mas também, e sempre mais jovens muçulmanos à procura de um sentido para a vida.

Esse lugar me falava muito, mesmo sem nunca ter estado lá, por isso agarrei a possibilidade de ir aí, quando da beatificação dos 19 mártires da Argélia, no dia 8 de Dezembro de 2018, mártires desse “anos negros” da guerra civil argelina, que fez milhares de mortos.

A partir do mosteiro passa-se uma entrada, e desce-se no meio de árvores, passando diante das fontes que continuam a alimentar a exploração agrícola. Depois chega-se a uma clareira cheia de flores de lavanda e de rosas, impecavelmente tratada por Youssef e Samir que continuam a trabalhar na exploração agrícola. Sete placas com sete nomes por ordem de chegada ao mosteiro. O primeiro foi irmão Lucas, o médico que encarnou tão bem a fraternidade universal tratando todos os que se apresentavam: gente da aldeia e também feridos do GIA.

Os jardineiros estão conosco. O modo como olham esta terra tão bem trabalhada, que eles cuidam, mostra o amor repleto de respeito que têm por este lugar. Momento forte de silêncio! Grande emoção, mas também paz profunda e mistério!

Tibhirine significa jardim. Jardim do paraíso, cultivado com amor, no meio de árvores frutíferas. Jardim de oliveiras, lugar de sofrimento e de morte. Como em oração há grupos que leem muitas vezes o testamento de Christian de Chergé. E é-se penetrado por essa mensagem de fraternidade e de comunhão que anuncia a Vida e o Amor mais fortes que o ódio devastador.

Quando se chega à esplanada, é difícil sair do silêncio desta viagem espiritual.

Quando estávamos em Tibhirine era o tempo do Advento. Na capela feita na antiga adega da exploração agrícola, havia um presépio já armado com sete personagens que esperavam a vinda do Salvador.