simmaculeeEu me chamo Immaculée NYEMBO MAMBA e pertenço ao Mosteiro Saint Sauveur, na República Democrática do Congo. Há três anos estou na França, graças a uma bolsa de estudos recebida da AIM para a formação teológica no Instituto Católico de Paris.

Sou da República Democrática do Congo, um país da África central com uma superfície de 2.345 km2. A RDC é um país rico em minério e possue mais de 70 milhões de habitantes. Antes de lhes falar de nossos Mosteiros na África, gostaria de sublinhar um fato político, entre tantos outros, que está na origem da inculturação. Na movência da descolonização, depois de sua independência, nosso país experimentou vários acontecimentos, dentre os quais a política da autenticidade, visando dar ao país sua identidade própria. Para tanto, o antigo Congo Belga se tornou a «República Democrática do Zaire»; os cursos de religião foram supressos nas escolas. No que concerne o vestuário, a saia comprida (de tipo africano) foi adotada em lugar do hábito (sobretudo para as religiosas). Foi por isso que nossas primeiras irmãs passaram do hábito à saia comprida.

O Mosteiro da RDC foi fundado em 1946 pelas monjas beneditinas de Loppem (Bélgica), da Congregação das Monjas Beneditinas da Rainha dos Apóstolos. Atualmente, contamos com 6 Mosteiros, 5 no Congo e 1 no Chade, que lhes apresentarei logo a seguir.

Vou lhes falar apenas de três Mosteiros.

Os Mosteiros do Congo (RDC)

O Mosteiro Saint Sauveur na cidade de Lubumbashi

Localiza-se na Província de Katanga, ao sul do país, a 2.000 km de Kinshasa. Este Mosteiro está situado no bairro de Kalubwe, a 6 km do centro da cidade e 15 km do aeroporto. Foi construído dentro de uma propriedade de sete hectares, permitindo às monjas levarem sua vida monástica de oração, trabalho e hospitalidade. Por outro lado, os arredores do Mosteiro estão se povoando cada vez mais. A população não cessa de crescer por causa da guerra, sobretudo no leste do país. Em face desse movimento migratório que atinge sobremaneira os jovens, a comunidade se defronta com novos problemas fazendo com que as irmãs se entreguem a diferentes atividades pastorais como a catequese de crianças e adultos e o acompanhamento de um grupo bíblico para meditar sobretudo os salmos com as pessoas que participam das orações litúrgicas. Além disso, a comunidade administra três grandes escolas: maternal, primária e secundária. Entretanto, com o problema da exploração de minério, muitas empresas mineradoras recrutam pessoal jovem propondo-lhes um salário melhor; e como em nossas escolas a maioria de nossos professores são leigos, alguns deles, infelizmente, abandonam o magistério. Por isso, devido a saídas às vezes numerosas, as irmãs se vêem obrigadas a assumir as vagas abertas para não comprometer a educação da juventude. 

■ O Mosteiro Saint Sauveur de Likasi (120 km de Lubumbashi)

Essa comunidade está inserida na Igreja local pela oração cotidiana e pela catequese. Como a acolhida tem um lugar importante na vida monástica, a comunidade dispõe de uma hospedaria e recebe muitas pessoas que sentem necessidade de recolhimento e de silêncio. Ela também desenvolve trabalhos agrícolas e administra uma grande escola primária e secundária (com aprendizado de corte e costura). Essa escola, desde sua fundação, recebia somente meninas e moças, visando assim a promoção da jovem que era excluída da instrução. Tal situação era, em parte, causada pela falta de recursos, mas também devido às dificuldades de transporte. Os pais davam prioridade à educação dos meninos e rapazes em detrimento das jovens devido à carência de recursos. Por isso, a comunidade se viu na obrigação de transformar uma parte da hospedaria em pensionato para meninas e moças; para elas, além da falta de perspectiva, vir à escola era quase impossível. O objetivo era dar-lhes um mínimo de instrução, pois, como se diz, «educar uma mulher é educar uma nação». Daí a necessidade de locais que propiciassem um espaço favorável para todas essas jovens abandonadas à própria sorte. Um outro problema que merece ser mencionado diz respeito às empresas mineradoras. Nelas, os rapazes são os mais expostos. Para fazer face a essa dificuldade, nós também recebemos meninos e rapazes em nossa escola. É um desafio, mas com a ajuda de Deus e o suporte da AMTM, nós esperamos poder sempre responder às necessidades da população por meio de nossa vocação monástica.

■ O Mosteiro da Annonciation de Lubudi (320 km de Lubumbashi)

Esse Mosteiro está situado em plena zona rural. No vilarejo, não há outras comunidades religiosas. Em sua inserção na Igreja local, a comunidade mantém uma casa de idosos para as pessoas mais pobres. A comunidade subvenciona suas necessidades graças aos trabalhos agrícolas. A comunidade, em plena zona rural, se dedica também à educação da juventude, mantém uma escola e um pensionato para meninas e moças provenientes dos vilarejos vizinhos. A instrução das jovens é uma necessidade urgente; como os pais não dispõem de recursos, as irmãs pedem e estimulam as famílias a manter a educação de suas filhas pagando com produtos naturais, isto é, elas dão o que podem, sobretudo, milho, mandioca (para aquelas que cultivam) etc.

O Mosteiro do Chade

O Mosteiro Sainte Agathe

Localiza-se no sul do país, na Diocese de Mundu, a 500 km de N’Djamena (capital do país). Esse Mosteiro foi fundado em 2005 por monjas da RDC. Faz parte dos 103 novos Mosteiros através do mundo, nos últimos 40 anos, como sublinhou P. Martin Neyt em sua alocução. É um sinal do desenvolvimento do monaquismo africano, que nos faz entrar na segunda geração da expansão da vida monástica através do mundo. Agora é a África que está se tornando missionária. A comunidade do Congo ouviu o apelo do Papa Paulo VI, em Kampala (Uganda), no ano de 1969, dirigindo-se aos africanos: «Vós tendes valores humanos e formas culturais características que podem atingir uma perfeição própria, apta a encontrar no cristianismo e para o cristianismo uma plenitude superior original e, por conseguinte, capaz de possuir uma riqueza de expressão própria, verdadeiramente africana... Africanos, doravante sereis vossos próprios missionários. Vós podeis e deveis ter um cristianismo africano». Ela respondeu igualmente ao pedido da Conferência dos Bispos do Chade que manifestou o desejo da presença da vida monástica nesse país, onde coabitam cristãos e muçulmanos. O crescimento da comunidade se dá pela vida de oração, trabalho e acolhimento.

Liturgia: no que concerne à liturgia, a comunidade acolhe numerosas pessoas, desejosas de tomar parte na Oração das Horas e na Eucaristia. Entretanto, visto não dispor ainda de uma capela, uma grande sala divida ao meio serve de oratório e sala de comunidade.

Acolhida: Como se sabe, a hospitalidade ocupa um lugar importante na vida da monástica. Graças à ajuda da AMTM, a comunidade construiu uma pequena hospedaria de seis quartos, num ambiente ideal para todos aqueles que querem fazer retiro ou passar um tempo de recolhimento e de silêncio; é um lugar muito atraente pelo fato de ser a única presença monástica no Chade.

Trabalho: «São verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos», diz-nos São Bento em sua Regra (RB 48, 8). A comunidade, para sobreviver, se dedica à agricultura. Graças ao auxílio proporcionado pela AMTM, temos um poço que nos ajuda, por um lado, a ter água potável e, por outro, às atividades agrícolas, não somente para as irmãs como também para a população dos arredores. Somos gratas à AMTM, pois trata-se de um verdadeiro progresso para a aldeia. As irmãs fabricam velas e confeccionam vestes litúrgicas. Além disso, faz alguns meses, o chefe da aldeia, um muçulmano, expôs à comunidade a necessidade da instrução das jovens. As irmãs começaram pela alfabetização e com um pensionato para moças; e, desde setembro de 2009, elas abriram uma escola maternal que conta 160 crianças entre 3 e 5 anos, vindas de aldeias das vizinhanças. Trata-se de uma formação progressiva dada pelas próprias irmãs. As aulas são ministradas em três locais.

alphabetisationAo concluir, quero afirmar que a experiência monástica nos abre para o mundo, mesmo quando se está fora do mundo. É na vivência do dia a dia que experimentamos a originalidade de nossa fé celebrada, vivida e proclamada sem, no entanto, esgotarmos todas as dificuldades que isso implica. A finalidade é conseguir viver o equilíbrio da vida monástica pela oração, pelo trabalho e pela hospitalidade, estando atentas aos apelos da Igreja. Em nome de toda a minha comunidade, agradeço à AIM e especialmente à AMTM que comemora hoje seus quarenta anos. Muito agradecida pela ajuda e pelo suporte que favorecem o desenvolvimento dos Mosteiros através do mundo. Muito agradecida também a todos aqui presentes. Que a alegria de Deus permaneça em nossos corações. Muito grata.

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