DAME(1) TERESA (Arlete) RODRIGUES, OSB

P. Marie-Bernard de Soos, OSB

teresarodriguesIrmã Teresa Rodrigues era monja beneditina da Abadia de Stanbrook, na Inglaterra, quando, a meu pedido de poder contar com uma secretária inglesa que fosse bilíngüe para o Secretariado Geral da AIM, em Vanves (França), a Madre Abadessa de Stanbrook propôs Irmã Teresa; foi em 1983, se bem me lembro.

Sua família era portuguesa, originária da Ilha da Madeira, mas havia emigrado para as Antilhas, mais precisamente para Trinidad. Ainda jovem, depois de bons estudos e desejando a vida beneditina, dirigiu-se ao Arcebispo de Port-of-Spain que a orientou para Stanbrook, pois não havia Mosteiro beneditino feminino em Trinidad.   

Em Vanves, desde 1960, as Irmãs beneditinas de Sainte Bathilde cederam espaço para o funcionamento do novo Secretariado da AIM, dirigido por Dom Marie-Robert de Floris, ex-Abade de En-Calcat, secundado por Irmã Pia Valeri. Chegando a Vanves para suceder Irmã Pia na AIM, Irmã Teresa ali permaneceria por dez anos, revelando uma grande competência e merecendo toda a minha confiança. Residia com as Irmãs e trabalhava comigo no escritório da AIM. O dia começava com a abertura e leitura da correspondência, que fazíamos juntos; em seguida, vinha o exame dos assuntos que tratavam, sobretudo, de pedidos de ajuda provenientes das novas fundações monásticas em países de missão (África, Ásia, América Latina). Trocávamos informações sobre cada caso: as ajudas já concedidas, as possibilidades financeiras... etc.

Ela se ocupava da contabilidade e adquiria o necessário para o Secretariado; o trabalho mais importante era preparar um dossiê completo para cada caso, uma repartição dos subsídios a serem concedidos de acordo com as capacidades financeiras do momento... etc; ela mantinha em dia os diversos registros, subsídios pedidos e atribuídos, visitas recebidas no Secretariado, pedidos de novas fundações... Devia também preparar as duas reuniões anuais do Conselho da AIM onde eram apresentadas as solicitações recebidas para serem discutidas até uma tomada de decisão; o Conselho durava dois ou três dias. Havia igualmente três ou quatro vezes por ano as reuniões do Conselho da AMTM nas quais, depois de um jantar, eram distribuídas as doações recebidas para os pedidos modestos que apresentávamos. 

A partir de 1989, uma leiga começou a ajudar Irmã Teresa em diversos serviços mais exigentes, como pedidos de visto, partidas e chegadas previstas (estações ferroviárias ou aeroportos) de monges e monjas das fundações que vinham à AIM, preparar refeições... Uma pequena equipe de voluntários também ajudava nos serviços que se faziam necessários, tudo sob a direção de Irmã Teresa. O ambiente era excelente e o trabalho realizado com eficiência.

Em seu último ano de trabalho na AIM, quando precisei me ausentar devido a um acidente cirúrgico, ela assumiu a responsabilidade do Secretariado em um momento dificílimo: o drama do genocídio no Ruanda. Irmã Teresa e sua auxiliar puderam contribuir para o resgate de uma parte da comunidade das Beneditinas. Pouco tempo depois, Irmã Teresa retornou a seu Mosteiro, no começo de 1995, se não me engano.

De minha parte, guardo uma excelente lembrança daqueles anos de trabalho em conjunto, para ajudar os novos Mosteiros que eram fundados no ritmo de dois ou três ao ano e pediam auxílio fossem eles para a formação, para as construções, para a compra de um veículo ou até para a parte elétrica. Sua saúde tinha limites, mas ela administrava bem as dificuldades. Surpreso com a notícia de seu falecimento, tenho-a presente na oração e conservo dela uma profunda gratidão.

Irmã Teresa, embora pertencendo à comunidade de Stanbrook, morreu no dia 1º de fevereiro de 2010, em decorrência de uma cirurgia, no Holy Trinity Monastery, East Hendred, Wantage, Oxfordshire (Inglaterra), do qual era membro, aos 79 anos de idade e 59 de profissão monástica.

P. Marie-Bernard de Soos, OSB,
é monge da Abadia de Saint-Benoît d’En-Calcat (França) e foi por vários anos Presidente da AIM.

Traduzido do francês por Dom Matias Fonseca de Medeiros, OSB.

(1) Na Inglaterra as monjas de coro são chamadas «Dame».

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