IRMÃ PIA VALERI OSB

(1914-2007)

Tendo sucedido a Madre Méryem Esquerré OSB, também falecida em junho de 2007, durante 18 anos ela realizou um trabalho excepcional na AIM. Que sua vida seja para uma nós uma fonte de bênção e de oração.

Como poderia discorrer brevemente sobre a vida e o trabalho de Irmã Pia que viveu 97 anos e celebrou 70 anos de profissão ?

O passado, escrevia ela, está no coração de Deus e eu estou em paz; o presente está nas mãos de nosso Pai do céu, por que haveria eu de temer? O futuro é maravilhoso. O Senhor o preparou para mim desde toda a eternidade e está me encaminhando para seu termo.

Nascida em San Severino, nas Marcas (Itália), romana de caráter, ardorosa, ativa, franca no falar, entrou no Mosteiro das Beneditinas da Rainha dos Apóstolos, em Béthanie (Bélgica), em 1934, com 24 anos de idade. Misteriosamente, Deus já a preparava para a missão que seria a sua. Em 1950, havia na América Latina, África e Ásia cerca de trinta mosteiros. Em 1984, eram 250. Entre essas duas datas, foi criada a AIM – Ajuda Inter-Monástica – mais tarde, Aliança Inter-Monástica. Irmã Pia teria nela um importante serviço a realizar. Antes disso, Cristo haveria de formá-la a sua Imagem e semelhança: de Béthanie, foi enviada para Jadotville, na África, em 1946; em seguida, para Mokabe Kasari onde surgiram os primeiros rostos do monaquismo congolês: Madre Agathe, P. Charles, P. Jean-Baptiste Mwepu. Passou um ano em Kourelia, na Suissa. Retornou a Béthanie uns dez anos depois onde fundou a comunidade dos oblatos. Mas, logo em seguida, foi mandada para Paris, ao Mosteiro das Beneditinas da Congregação de Sta. Batilde, lugar de nascimento e desenvolvimento de AIM. Ali ela trabalhou de 1967 a 1985.

Como relatar em poucas palavras a infinidade de serviços que ela realizava cotidianamente? E que dizer da preciosa colaboração prestada ao P. Marie-Robert de Floris e depois ao P. Marie-Bernard de Soos? É toda uma página da história monástica que ia sendo escrita dia após dia; e sua humilde contribuição se inscreve na obra missionária da Igreja estimulada pelo Santo Padre.

A 8 de agosto de 1967 Irmã Pia assumiu o lugar de Madre Méryem Esquerré que havia partido para Jerusalém; também ela faleceu em junho último e, de igual, modo, será lembrada em nossa oração. Irmã Pia estruturou o Secretariado da AIM juntamente com o P. de Floris; 1967 foi também o ano em que Dom Rembert Weakland se tornou Primaz dos Beneditinos. No ano seguinte, ela preparou o grande encontro de Bangkok que veria nascer o Diálogo Inter-Religioso Monástico.

Em 1972 e 1976, foram mostradas duas exposições no Congresso dos Abades beneditinos: fotografias, cartões, estatísticas. Esta documentação refletia bem a vida concreta das comunidades debaixo de todos os céus e fazia progredir o interesse recíproco entre os mosteiros. Em 1973, foi o Congresso de Bangalore, no qual se reuniram 103 participantes da Ásia. Em 1978, em Pilar, nas proximidades de Buenos Aires, realizou-se o encontro de monges e monjas da América Latina; em 1979, seria a vez de Abidjan (Costa do Marfim) onde 80 delegados de 17 países representavam 48 mosteiros da África negra e Madagascar.

Trabalho imenso, humilde, sempre assumido com alegria na oração e na solidão. Nas alegrias e nas dificuldades que encontrou, soube cultivar belas relações e, não raro, amizades excepcionais. De sua própria pena, ela revelou as feições de seus amigos, cujo encontro deixou marcas profundas em sua vida. Evocarei simplesmente alguns nomes entre outros tantos. Além do P. de Floris, de quem anotou palavras de vida tais como esta: Ó minha alma, adora e cala-te, é a fisionomia do P. Denis Martin e a história de Toumliline, de Bouaké, de Koubri e de Villecerf. A figura emblemática e preciosa para ela de Dom Théodore Guesquière; a de Dom Cornelius Tholens de quem apreciava o caráter alegre, a sensibilidade, a fineza. O P. Jean Vannucci, eremita, dos Servos de Maria; Dom Jean Leclerq que lhe testemunhava uma profunda amizade espiritual; o P. Thomas Merton que ela descobriu durante o encontro de Bangkok; P. Mayeul de Dreuille, Dom Paulo Gordan e Madre Bénigne assim como a comunidade das monjas de Vanves. Em 1985, Irmã Pia voltou para Rixensart. Foi-lhe confiada a responsabilidade dos arquivos e da biblioteca. Neste trabalho ela empenhou todo o seu coração, trazendo sua experiência vibrante de lembranças, de alegria e uma fé inquebrantável e comunicativa.

A vida de cada um de nós constitui o elo de uma imensa corrente que nos liga uns aos outros e une as gerações na história do projeto divino. A AIM estava no âmago de sua existência e nós damos graças a Deus pelo que ela foi e pelo que realizou a serviço dos mosteiros através do mundo. Ela entrou na alegria que nada poderá tirar, alegria perfeita do Bem-Amado que a colocou como um selo em seu coração, pois o Amor é forte como a morte.

P. Martin Neyt, OSB, Presidente da AIM